O tema em questão são as pesquisas eleitorais. Em determinados momentos, quando os números são positivos e favoráveis a um candidato, eles são aplaudidos, reverenciados e tratados como instrumentos de suma importância dentro de uma eleição.
Por outro lado, quando os resultados se mostram desfavoráveis, muitos passam a abominar as pesquisas, recorrendo a críticas, xingamentos e até pedidos de anulação.
Para melhor entendimento dos leitores, uma pesquisa eleitoral começa pela definição da amostra, ou seja, do grupo de pessoas que será entrevistado.
Como é impossível ouvir todos os eleitores de um estado como Mato Grosso, com dimensões territoriais continentais, os institutos selecionam um recorte que represente a população total. Essa escolha segue critérios demográficos rigorosos, com base em dados oficiais.
A importância das pesquisas eleitorais vem crescendo ao longo dos anos, especialmente após a introdução do sistema de dois turnos nas eleições para prefeitos, governadores e presidente da República.
Desta feita, o Instituto MT Dados realizou uma pesquisa na modalidade espontânea em 45 municípios, entre os dias 12 e 17 de maio de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na liderança aparece o deputado estadual em segundo mandato Lúdio Cabral (PT), com 1,9% das intenções de voto. Em segundo lugar surge Maxi Russi (Podemos), com 1,4%, seguido por Eduardo Botelho (União Brasil), com 1,1%. Logo depois aparecem Dr. João, com 1,0%, Thiago Silva (MDB), com 0,7%, Gilberto Cattani (PL), com 0,6%, Chico Guarnieri (PSDB), também com 0,6%, Dilmar Dal Bosco (União Brasil), com 0,5%, Beto Dois a Um (PSB), com 0,5%, e Diego Guimarães, igualmente com 0,5%.
Os dez primeiros colocados possuem mandato parlamentar, o que, até certo ponto, não chega a surpreender.
As novidades aparecem a partir da décima primeira posição, ocupada pela novata Jéssica Riva (MDB), com 0,5% das intenções de voto. Ela é irmã da deputada estadual Janaina Riva (MDB).
Também aparece bem posicionada a vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris (PL), com 0,4%. Outro nome lembrado foi o ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Léo Bortolin (MDB), com 0,3%.
A grata surpresa da pesquisa ficou por conta do ex-secretário de Educação de Mato Grosso, Alan Porto (Republicanos), que alcançou 0,3%, uma pontuação considerada expressiva para alguém que ainda é novato no cenário eleitoral.
Alan Porto deixou recentemente a Secretaria de Estado de Educação, entregando à sua sucessora, Flávia Emanuelle Soares, um legado considerado relevante por muitos setores da educação mato-grossense.
Durante sua gestão, houve construção de escolas, reformas estruturais e modernização de unidades educacionais, aproximando algumas delas dos padrões encontrados em instituições particulares de referência.
Outro ponto frequentemente destacado é a evolução da educação de Mato Grosso no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), saindo da 22ª posição para o 8º lugar no ranking nacional.
Talvez muitos leitores não compreendam minha empolgação ao abordar a educação pública de Mato Grosso. Acontece que, durante muitos anos, ministrei aulas em escolas estaduais.
Na maioria delas, faltavam materiais básicos. Muitas vezes havia apenas giz; não existiam globos terrestres, tampouco mapas específicos. Quando muito, havia um velho mapa-múndi utilizado por todos. O quadro negro era feito de cimento pintado de verde e, em alguns casos, apresentava rachaduras.
Foram tempos difíceis. Talvez por isso eu valorize tanto os avanços da educação.
Professor Lício Antonio Malheiros Jornalista, articulista e geógrafo.




