Aquele antigo ditado popular diz que “a política é igual à nuvem, está sempre mudando de lugar” continua sendo bastante utilizada para definir a dinâmica e a evolução de uma candidatura política ou de qualquer outro cenário eleitoral.
Infelizmente, muitas pessoas ainda não compreendem a importância de uma pesquisa eleitoral e o seu funcionamento. Ela representa uma das ferramentas mais valiosas para qualquer candidato e, principalmente, para os coordenadores de campanha.
De forma simplificada, a pesquisa eleitoral é um levantamento sistemático de dados realizado junto a uma amostra representativa do eleitorado, orientada por institutos especializados e baseada em metodologias estatísticas rigorosas.
Seu objetivo é medir indicadores como intenção de voto, exclusão, espontânea de candidatos, avaliação de governo e percepção sobre temas relevantes para o pleito.
Toda pesquisa eleitoral, cujos resultados serão divulgados publicamente, devem ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme determina o artigo 33 da Lei nº 9.504/1997.
Dito isso, recentemente o Instituto MT Dados realizou uma pesquisa sobre a sucessão ao Governo de Mato Grosso, apresentando uma mudança significativa no cenário eleitoral.
O atual governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), aparece numericamente à frente do senador Wellington Fagundes (PL), tanto na modalidade estimulada quanto na espontânea.
Para que a população compreenda a diferença entre essas duas modalidades, vale uma breve explicação.
A pesquisa estimulada é aquela em que o entrevistador apresenta ao eleitor uma lista com os nomes dos postulantes ao cargo, permitindo que ele escolha uma das opções disponíveis.
Já a pesquisa enviada é aquela em que não é fornecida qualquer relação de candidato ao entrevistado, possibilitando que ele mencione livremente o nome de sua preferência.
Entrando nos números da pesquisa, na modalidade estimulada, quando os nomes dos pré-candidatos são apresentados aos entrevistados, Pivetta aparece com 25,2% das intenções de voto, contra 24,3% do parlamentar bolsonarista Wellington Fagundes. Em terceiro lugar figura o senador Jayme Campos (União Brasil), com 14,3%, seguido pela médica Natasha Slhessarenko (PSD), com 10,6%.
O publicitário Rafaell Millas, do Missão, aparece com 1,5%. O empresário Marcelo Maluf (Novo) foi citado por 0,9% dos entrevistados, à frente do publicitário Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,7%, e do administrador Alex Pucinelli (Democracia Cristã), com 0,4%. Os votos brancos e nulos somaram 3,6%, enquanto 18,5% dos entrevistados declararam-se indecisos.
Os números demonstram um crescimento de Pivetta entre os meses de maio e julho. O governador passou de 20% para 26%, registrando um avanço de seis pontos percentuais. Já Wellington Fagundes caiu de 27% para 25%, recuando dois pontos. Jayme Campos evoluiu de 14% para 15%, enquanto Natasha Slhessarenko passou de 7% para 11%, um crescimento de quatro pontos percentuais.
Na modalidade patrocinada, em que os nomes dos candidatos não são apresentados ao eleitor, Otaviano Pivetta liderou com 11% dos interessados de voto, seguido por Wellington Fagundes, com 10%.
Na sequência aparecem o senador Jayme Campos, com 8%, e a médica Natasha Slhessarenko, com 5%.
A pesquisa apontou ainda que 3% dos entrevistados citaram outros nomes, enquanto os votos brancos e nulos totalizaram 10%. Outros 53% afirmaram estar indecisos.
A pesquisa MT Dados reuniu 2,8 mil participantes em 45 municípios de Mato Grosso, por meio de entrevistas presenciais e pela internet, entre os dias 15 e 21 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº MT-04879/2026.
Professor Licio Antonio Malheiros Jornalista, articulista e geógrafo.

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