Vamos falar de Várzea Grande, fundada em 1867 pelo então presidente da Província de Mato Grosso, o brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães, como um acampamento militar durante a Guerra do Paraguai, destinado a dar suporte aos paraguaios residentes na região de Cuiabá.
Estamos falando da cidade industrial de Várzea Grande que, juntamente com Cuiabá, forma uma região conurbada, ou seja, ambos os municípios compartilham infraestrutura e serviços públicos.
No último dia 15 de maio de 2026, Várzea Grande completou 159 anos de fundação. A Prefeitura preparou uma programação especial ao longo do mês, reunindo eventos tradicionais, ações sociais, entregas institucionais, atividades culturais e iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico e sustentável da cidade.
Contemporizar os graves problemas enfrentados pelo município de Várzea Grande seria, no mínimo, uma temeridade.
Um dos problemas crônicos, que se arrasta há anos, é a escassez de água, ocasionada pela recorrente crise hídrica, com interrupções no abastecimento de água potável, principalmente nos períodos de estiagem.
Outro problema histórico do município é a deficiência na drenagem e na pavimentação urbana, ocasionando ruas sem asfalto e transtornos persistentes à mobilidade da população.
Outra questão preocupante e emblemática diz respeito à criminalidade, impulsionada principalmente pela expansão das facções criminosas e pela pobreza, fatores que contribuem diretamente para o aumento da violência na cidade.
Como se não bastassem os problemas relacionados à infraestrutura pública, o município enfrenta ainda uma intensa disputa entre o Executivo Municipal e o Legislativo. Verdadeiros embates vêm ocorrendo entre a prefeita Flávia Moretti e vereadores de oposição, em episódios marcados por confrontos pouco ortodoxos.
O episódio mais recente e emblemático ocorreu na sexta-feira (22), durante a ida da prefeita Flávia Moretti à Câmara Municipal para protocolar projetos de interesse da administração.
A visita terminou em confusão após um bate-boca entre o vereador de oposição Wender Madureira e a prefeita. A discussão ocorreu no setor de protocolo da Casa e mobilizou guardas municipais e policiais que estavam no local.
Flávia Moretti esteve no Legislativo para protocolar cerca de 20 projetos de lei considerados estratégicos para a administração municipal. Entre as propostas apresentadas estavam a abertura de créditos suplementares de R$ 14,8 milhões para a Saúde, repasses ao Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG), a criação das secretarias municipais da Mulher e da Cultura, além de medidas relacionadas à regularização urbana, assistência social, segurança pública e reestruturação administrativa.
O desgaste provocado por essa exposição nada convencional acabou atingindo os dois poderes constituídos, tanto o Executivo quanto o Legislativo.
Embora a relação entre eles deva ser pautada pela independência e harmonia, dentro do sistema de freios e contrapesos, cabe a ambos garantir que o dinheiro público seja corretamente administrado.
Entretanto, o que foi presenciado naquele fatídico dia 22 não se limitou apenas ao confronto de opiniões. Houve extrapolação dos limites do convívio institucional e do respeito mútuo, principalmente por parte do vereador Wender Madureira, que elevou o tom ao interpelar a prefeita Flávia Moretti.
Como dizia minha falecida mãe: “O tom da voz não dignifica a conversa”.
Professor Lício Antônio Malheiros Jornalista, articulista e professor.




