O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, reagiu às declarações do prefeito Abilio Brunini (PL) sobre um suposto superfaturamento de até R$ 80 milhões na aquisição de materiais pedagógicos para a rede municipal. Durante depoimento na Câmara Municipal, nesta quinta-feira (28), Monge classificou as acusações como “absurdas”, “sem fundamento técnico” e fruto de “desconhecimento sobre gestão educacional”.
A manifestação ocorre um dia após o prefeito divulgar, nas redes sociais, uma investigação interna que apontaria possíveis irregularidades em contratos ligados à compra de livros didáticos entre os anos de 2025 e 2026. No vídeo, Abílio não citou nomes, mas afirmou haver indícios de preços elevados e questionou a qualidade do material adquirido, chegando a sugerir que parte do conteúdo teria sido produzido por inteligência artificial.
Em resposta, Amauri Monge afirmou que não houve compra isolada de livros durante sua gestão, mas sim contratação de soluções pedagógicas completas, envolvendo material didático para estudantes e professores, plataformas educacionais e formação continuada para profissionais da educação.
“Não existe nenhuma possibilidade técnica ou jurídica de haver um desvio nesse valor. Não há sequer processo na Secretaria de Educação que alcance R$ 80 milhões. Falar isso é uma irresponsabilidade que atinge não apenas a mim, mas todo o corpo técnico da prefeitura”, declarou.
O ex-secretário explicou ainda que os processos de aquisição da Prefeitura passam por diferentes etapas de controle, incluindo análise da Secretaria de Aquisições, validação da Secretaria Municipal de Economia e parecer da Procuradoria Geral do Município (PGM), o que, segundo ele, inviabilizaria qualquer irregularidade dessa magnitude sem detecção prévia.
Monge também criticou a condução do debate público sobre o tema e afirmou que as acusações demonstram falta de conhecimento sobre políticas educacionais. “Dizer que a secretaria comprava apenas livros é coisa de quem não entende de educação”, disparou.
O ex-gestor compareceu à Câmara Municipal a convite do vereador Ilde Taques (Pode), colocando-se à disposição dos parlamentares para prestar esclarecimentos adicionais. Após a oitiva, o vice-líder do prefeito na Casa, vereador Demilson Nogueira (PP), informou que convidou o atual secretário municipal de Educação, Reginaldo Teixeira, para apresentar informações sobre o caso na próxima terça-feira (2).
Até o momento, a Prefeitura de Cuiabá não voltou a se manifestar oficialmente sobre as declarações de Amauri Monge após o depoimento na Câmara.
Da Redação CPANEWS / Lício Malheiros




